sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Lembranças

Ele tocou a mão dela como num gesto de despedida, sua ultima lembrança era dos dois juntos, ainda arrancava-lhe um sorriso dos lábios. Dizer adeus nestas circunstâncias era impossível. Ele ficou com aquele doce sorriso nos lábios por alguns minutos, ela teve forças para olha-lo e sussurrar um eu te amo muito fraco. Foi demais ele a olhou e se foi. Em casa a cama ainda tinha o cheiro dela e no escravo a foto que reinava era dos dois abraçados juntos ao por do sol, devia ser das ultimas ferias, ele olhou e por alguns segundo o flashback começou ... ela era mais do que uma simples amante da vida, mais que uma mulher, era sua vida! E todos os momentos juntos lado a lado se eternizavam. A esposa, a amada, a única e idolatrada, a rainha do lar, a menina dos seus olhos, ela era sua razão maior. Adormeceu assim, com lembranças abraçado junto ao porta-retrato.
Amanheceu, a brisa ainda soprava fria, e o céu dava sinais que ia chorar, ele se levantou e vestiu seu melhor terno, olhou-se por alguns instantes no espelho, passou o perfume que ela tanto gostava, tinha lhe dado nos dias dos namorados ou em qualquer outra data especial que ele não se lembrara no momento, secou uma ou duas lágrimas que insistiam em escapulir pelos olhos e repetiu com si mesmo - Ainda é cedo para chorar!
Caminhou até a cozinha e lá ele viu ela, ou a imagem dela, fazendo planos para o próximo feriado. Sorriu consigo mesmo.
No carro o suéter azul bebe que ela tanta gostava permanecia no banco de trás caso o tempo esfriasse, intacto.
O caminho não seria longo, talvez algumas horas, mas valeria a pena! Com certeza ela estaria linda, sorridente e de braços abertos, como ele sempre a encontrava. No meio do percurso encontrou um lindo jardim, desceu do carro e colheu de lá a rosa mais vermelha, era sua favorita, ela iria adorar!
Ao chegar alguns amigos já estavam no recinto e eles choravam, embora ele sempre pedisse para que sorrissem, pois era assim que ela gostava.
Ele se aproximou, sorriu. Ela estava linda talvez um pouco pálida mas linda, assim como a 45 anos atrás no primeiro encontro, guardava um sorriso discreto nos lábios mas que não deixava em momento algum de ser um sorriso, só que seus braços já não estavam abertos para que ele pudesse abraça-la, mas sim cruzados abaixo do busto segurando um "terçinho" de Nossa Senhora Aparecida, de quem era tão devota, foi neste momento que ele a olhou bem como nunca tinha feito antes, colocou a rosa ao seu lado e falou como se ela ainda pudesse o ouvir: - Promete que vai me esperar como sempre fez? Eu te amo.
A tampa se fechou, os filhos lhe abraçaram e alguns palmos de terra foram jogados em cima do caixão.
Talvez ela ainda queira tomar um chá ao entardecer, ele imaginou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário